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A Primeira Partida de Futebol no Brasil

O primeiro jogo de futebol do Brasil foi realizado na Várzea do Carmo, em São Paulo, em 14 de abril de 1895. As equipes envolvidas na disputa, São Paulo Railway e Companhia de Gás, eram formadas por ingleses radicados na capital paulista. Charles Miller, considerado o pai do futebol no Brasil, fazia parte do primeiro time, que venceu a partida por 4 x 2. Miller trouxe as duas primeiras bolas de futebol para o Brasil em 9 de junho 1894 e as deixou trancadas em um armário por 10 meses, até a primeira partida. Porém:

Começo elitista e amador
Muito se fala, mas pouco se sabe sobre a origem do futebol no Brasil. O que é certo é que em 1894 o paulistano Charles Miller trouxe ao país um jogo de uniformes e um objeto esférico inflável, que os ingleses chamavam de “ball”. Daí, Miller começou a difundir o esporte no país inteiro, tornando-o paixão nacional em menos de 30 anos. Para muitos historiadores, entretanto, o futebol chegou ao Brasil bem antes de Miller, através de marinheiros ingleses cujos navios aportavam em nossas terras. O ano de 1874 é o mais citado como o “apito inicial” do futebol no Brasil: o local foi a praia da Glória, no Rio de Janeiro, para uma apresentação a ninguém menos do que a princesa Isabel.
As datas começam a ser mais precisas no dia 13 de maio de 1888, quando a mesma princisa Isabel assinou a Lei Áurea, que eliminou a escravatura no Brasil. Coincidentemente, no mesmo dia, nascia na elite paulistana o primeiro clube esportivo do país, o São Paulo Athletic Club, que se tornaria, em 1902, o primeiro campeão paulista. O futebol não era a principal atividade do clube, mas sim o críquete, outro esporte bretão.
Pouco depois, aos 20 anos, Charles Miller voltou de uma temporada de estudos na Inglaterra carregando um par de chuteiras, uma bola, uma bomba para enchê-la e o livro de regras do esporte – que, por sinal, pouco mudaram desde então. Em menos de um ano, partidas começaram a ser disputadas nas várzeas paulistanas. A primeira de que se tem notícia aconteceu num domingo, 14 de abril de 1895, e antes da virada do século o Brasil já estava apaixonado pelo “football”. Nasceram, daí, os primeiros clubes. Muitas agremiações tradicionais, como o Flamengo (Rio de Janeiro) e o Vitória (Bahia), foram criados nos anos 1890, mas como clubes de regatas, no caso do time carioca, e clube de críquete, no caso do Vitória. O gaúcho Rio Grande, em 1900, foi o primeiro clube criado para a prática do futebol, seguido pela Ponte Preta, de Campinas, no mesmo ano. O primeiro campeonato – o paulista – aconteceu em 1902 e é disputado até hoje. Três anos depois, o campeonato baiano teve sua primeira edição e, no ano seguinte, o carioca debutou. Assim, os estaduais foram “pipocando” pelo país: o mineiro, em 1915, e o gaúcho, em 1919. Em 1922, já com a criação de uma entidade organizadora, acontece o primeiro campeonato entre seleções estaduais. Antes, em 1917, o Brasil organiza sua primeira seleção, ainda sem negros, e disputa o primeiro sulamericano, mas não conquista o título.
A profissionalização começa em 1916, quando foi criada a Confederação Brasileira de Desportos (CBD), com apoio de Bahia, Minas Gerais, Pará, Paraná e Rio Grande do Sul. No mesmo ano, a entidade se filiou à Confederação Sulamericana de Futebol (Comembol) e à Fifa (Federação Internacional de Futebol). O esporte era ainda elitista, já que somente jogadores da alta sociedade, apenas sócios, jogavam nos clubes. O futebol foi ficando cada vez mais popular nos anos 1920, quando alguns clubes aceitaram que jogadores de classe média ou baixa, inclusive negros, atuassem por seus times. Vem daí o termo “pó-de-arroz”, produto aplicado na pele dos jogadores negros, para disfarçar sua cor.
Charles Miller, o “dono da bola”, ao centro (crédito: Centro Britânico Brasileiro). Os sócios, geralmente conservadores, não aceitavam os negros do time de futebol circulando pelos clubes.

A profissionalização: Um passo importante para a “profissionalização” do esporte bretão nasceu do preconceito racial entre os frequentadores dos clubes. Os sócios, geralmente conservadores, não aceitavam os negros do time de futebol circulando pelos clubes e começaram a pedir que eles se tornassem funcionários, com tratamento diferenciado ao dado aos associados, inclusive usando outras portas de acesso. Surgiu, então, a ideia de pagar salários aos astros das equipes e torná-los empregados.
A elite intelectual, entretanto, lutava contra essa “forma de mostrar a superioridade europeia frente ao Brasil”. O escritor Graciliano Ramos, autor de obras como “Vidas Secas” e “São Bernardo” dizia que a popularização do futebol era algo apenas passageiro e que o verdadeiro esporte nacional era a “rasteira”. Da mesma forma, Lima Barreto via o futebol como um esporte de elite, dominado pelos antigos senhores de escravos, e via no esporte uma nova modalidade de escravatura.
Em 1930, o Brasil disputa sua primeira Copa do Mundo, e fica na sexta posição com uma vitória e uma derrota, somente com jogadores amadores, sem craques como Friednreich, de São Paulo, estado onde o esporte já avançava para a profissionalização.
A ”briga” entre amadores e profissionais continuava e, em 1933, foram criadas as Ligas Profissionais nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, que realizavam torneios paralelos aos amadores. Os profissionais criaram a FBF (Federação Brasileira de Futebol), já realizando em 1934 o primeiro torneio profissional do país, o Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais. Com o profissionalismo começando a ganhar forma, a CBD passou então a ser o último bastião do amadorismo. As frequentes disputas entre a CBD e a FBF fez com que na Copa de 1934, o Brasil enviasse apenas jogadores amadores, o que resultou na desclassificação precoce da equipe na competição.
A paz somente veio na Copa de 1938, quando pela primeira vez a seleção nacional foi composta realmente pelos melhores jogadores, sem rusgas entre entidades e ideologias do futebol. A equipe conquistou a terceira posição, sendo eliminada nas semifinais diante da Itália. Mas nessa Copa revelou-se o gênio de Leônidas das Silva, apelidado “Diamante Negro”, o artilheiro da competição.
Os anos 1940, que não tiveram nenhuma edição de Copa do Mundo em função da Segunda Guerra, profissionalizaram de vez o futebol do Brasil. A Copa Roca e o campeonato sulamericano foram disputados quase anualmente e a CBD encarregou os profissionais de representar o país nesses certames. Os negros ainda sofriam preconceito, mas apareciam cada vez mais nas convocações. Mesmo com a melhora do nível técnico, o Brasil ainda era um iniciante no futebol. Nos anos 1940, dos dez jogos contra a Argentina, o Brasil venceu três. Em 1949, finalmente, a seleção brasileira conquistou o título sul-americano, jogando em casa.

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